quarta-feira

C'est Paris ce soir.


Percorro, languidamente, cinquenta corredores.
Nos vãos vãos de escada,
Recolho vítreas percepções;
Cinquenta corações
Palpitando na cilada
Inviamente néscia
Que os faz explodir de luz.

Parte bipartidária de um lado só
Que reflecte a inconstante
Fragilidade de um dó
Pavoroso e incontornável.

Viro então a liberdade
E reinvento a incerteza,
Vaga, pura beleza
De uma verdade
Perdida para a incongruência
De um tempo errante
E inefavelmente razoável.


Paris, dezassete de Fevereiro de dois mil e dez

sexta-feira

C'est Paris la chance.

Île Saint-Louis

Com sorte e um pouco de perseverança tudo muda. Começo a julgar e a subjugar aquilo que outrora considerava sagrado à vontade lícita de poder ser algo mais. Mas tudo é assim: mutável, inconstante. A vida vive-se, a vontade constrói os muros dos nossos limites ilimitáveis. Neste momento quero viver a cidade luz, quero aqui ficar até que um novo vento me advirta para os confins do mundo.


Notre-Dame


domingo

C'est Paris qui commence.

Bastou-me pôr um pé em Paris para perceber que não podia estar noutro sítio. Tudo aqui é mais profundo e elegante, tudo aqui faz aquele sentido ancestral que sempre atraiu todas as almas sôfregas e pensantes. Meti-me à loucura e fui visitar a cidade a pé. Comecei na Cité, passei pela Sorbonne e pelo Louvre, fui à torre Eiffel e desci os Champs-Élysées a partir do Arco do Triunfo. Nos passeios pelo Sena perdi muito tempo a ver os vendedores de rua, que praticamente oferecem livros poeirentos mas vivazes, que muitas bibliotecas deviam invejar. Vou lá voltar e comprar um livro do Sartre que estive a folhear.


Jardin des Tuileries


Pont au Change